domingo, 29 de junho de 2008

WILL YOUNG, O POP E A FUNÇÃO DA ARTE NOS DIAS ATUAIS

Há pouco mais de seis meses fui apresentado ao cantor britânico Will Young. Se não estou enganado o encontrei pela primeira vez às quatro da manhã, enquanto dissertava minha monografia de final de curso. Coincidentemente falava sobre arte. Enfim, não estou aqui para falar do TCC, mas sim, tentar entender qual seria a função do que poderíamos ou não considerar ‘arte’ nos dias atuais.

Partindo do pressuposto de que ‘arte’ se constitui de unidades bilaterais, não cairei no paradoxo de defini-la, muito menos na leviandade de lhe dar valor. O critério é seu, e o apanhe de acordo com a sua subjetividade. Portanto, de uma coisa não podemos negar, Arte é algo transcendente na história da vida humana e existe desde a Pré-história.

Mas qual seria a relação entre Young e a fundamentação da arte? Não tenho a pretensão de dar respostas, mas sim saciar minhas dúvidas quanto a necessidade vigente de se ‘consumir’ materiais na vida atual, sejam estes sonoros, visuais, sólidos ou sensoriais.

Quando me deparo com um novo cantor - isso acontece de duas formas: a primeira delas por intermédio de um amigo, e a segunda e mais corriqueira o descobrimento aleatório em sites de música ou canal de tevê -, a primeira reação é fundamental. Quando me interesso, levando em consideração a harmonia, o tom de voz, o estiloso estranhamento e a complexidade para o entendimento do gênero. Vou à busca de mais para tentar entender e descobrir o que compõe tais elementos.

Young tem 27 anos, e só chegou ao lúmen da fama em 2002 por conta de sua vitória no programa de tevê Britânico Pop Idol, Sim, ele é estrangeiro e suas músicas são cantadas em inglês. O que mais me comove em Young é sua capacidade de concisão e latência de sua musicalidade. Tudo isso antes de ler e traduzir alguma de suas letras, o que depois me fez perceber que não se trata apenas de uma melodia aparentemente simplista e comercial, mas sim de um desejo maior: a informação.

Acalme-se, não redigirei um artigo científico para falar de música, mas confesso ser necessário pontuar todos os elementos a serem discutidos aqui antes de lançar minhas hipóteses deixando o caminho aberto para outras.

Falar de informação diferentemente de reprodução de dados é algo, a meu ver, cada vez mais raro na atualidade. A informação da qual me refiro aqui é aquela capaz de formar opinião, auxiliar na construção de uma idéia ou até mesmo uma ferramenta para sanar dúvidas: seria então a função da Arte, informar?

Considerando que vivemos cercados de contribuições ‘artísticas’ inférteis de ‘informações’, constituindo-se apenas da sua finalidade reprodutiva e massificadora, remeto-me o conceito da Pop Art.

Para quem não sabe o que significa isso, aqui vai um drops: “O conceito de Pop Art surgiu como uma rebelião aos estilos convencionais de arte, levando homens e mulheres às realidades do dia-a-dia, o que ficou conhecido como cultura popular. Surgida inicialmente na Inglaterra, com expansão na América do Norte nos anos 1960 e posteriormente França. O Pop Art começou a tomar forma quando alguns artistas influenciados pelos ícones urbanos, tais como selos, etiquetas, produtos e marcas da propaganda, se apropriaram destes elementos dando-lhes resignificações com caráter artístico. Sendo o principal objetivo criticar a sociedade por causa do início de uma era consumista. Contudo, o termo Pop Art foi empregado pela primeira vez em 1954 pelo crítico inglês Lawrence Alloway, para designar produtos da cultura popular ocidental, especificamente Norte Americana. A linha tênue entre a nova cultura popular e sua validação canônica está no fato de que ao mesmo tempo em que se produzia a crítica, o Pop Art se apoiava à necessidade do consumo, ou seja, era necessário que se vendesse arte, tanto quanto se valorizava à épica. Assim, o que antes era considerado brega, virou moda, e já que tanto o gosto, como a arte tem um determinado valor e significado conforme o contexto histórico em que se realiza, o Pop Art proporcionou a transformação do que era considerado vulgar, em refinado, e aproximou a arte das massas, popularizando a Arte e seus arraigados conceitos.”

Desse modo posso entender que Arte não é entretenimento e muito menos lazer, pois além de seu caráter de informativo ela sugere a crítica e auxilia na mudança da mentalidade de um período, apresentando o retrato social e silenciando através de sua estética.

Assim, utilizando de Panofsky, Arte é tudo o que nos permite poder enxergar o presente num quadro em perspectiva sem distorções pessoais e institucionais. Sem o seu auxílio informativo e transformador, o nosso cotidiano da guerra e da fome tornam-se miragens surreais e, então, impedimos nós mesmos do transcender em detrimento às limitações provinciais do tempo e do espaço, não tomando para nós a parte que nos cabe da evolução no influxo da alma.

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Veja a tradução da múscia logo abaixo:

Às vezes você caminha para o bem, pois você está tentando duramente, mesmo com dificuldade fazer com que te vejam. E às vezes não encontra o caminho certo, mas você se trata rispidamente, sendo muito difícil para vê-los (os caminhos). Embora você saiba quanto e como se sente, porque você é igual a mim, e não se renderá. Há todo um tempo de amor, porque nada mais é bom o bastante. Eu quero todo o tempo para o amor me encontrar. Tem dias em que você está tão certo de seus modos, que você se esquece de se calar, se calar e ouvir. E um dia terá que perder todos esses enganos em um lugar onde não sentirá falta deles. Então deixe de fingir que está bem, pois você é igual a mim. E não poderá se render. Haverá todo um tempo para o amor, porque nada mais é bom o bastante. E quero todo o tempo para o amor me encontrar. Não acredito que seja uma falha ou uma falta, pois era tudo tão simples... Só me dizer o que desejaria resolver. (Tradução livre)

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