segunda-feira, 14 de abril de 2008

O QUE DIZEM OS PORTUGUESES SOBRE "O OBSERVADOR DO MUNDO FINITO"?

“O observador do mundo finito”, Túlio Henrique Pereira. Falemos deste livro, começando por questionar desde o título, nada é por acaso e tudo são acasos… observações. O observador, personagem do livro, é aquele que lhe empresta voz, sendo nós levados a identificá-lo com o próprio autor. Mundo finito, o lugar onde se desenvolve a ação. Quererá o autor destacar o pendor realista das suas observações, a fuga a uma abordagem mais metafísica do mundo?
Chama-nos a atenção o cuidado texto introdutório à leitura do livro, assinado por Nilton Milanez. Sendo o mesmo interessante e bem presente, é bom destacar algumas idéias força dele retidas: 1 «depois de ter chegado ao fim de seus versos é que nossa respiração retoma o fôlego», chama a atenção para a capacidade de captar a atenção do leitor; 2 «Sentimentos e atitudes se entrelaçam nessa escrita, o que faz com que questionemos: quem fala nesses poemas?», é sempre uma boa questão e interessa ler a resposta; 3 «A cada página observamos um trajeto individual», interessante idéia a reter a de trajeto e viagem; 4 «muitas vezes, terno e erótico, bio-químico e bio-político, espaços fincados em lugares que recitam a ausência, solos metafísicos», salientar a diversidade do registro; 5 «um poeta que se mescla à presença do outro que nele deixa as suas marcas», as marcas da alteridade; 6 «encontraremos um conjunto de poemas, à primeira vista, irregular», apontemos de novo a diversidade e variedade. São poemas de grande liberdade formal, de variado folgo na dimensão do número de versos ou do seu cumprimento. Fiquemo-nos pela análise de dois poemas apenas, os primeiros. No primeiro 8 versos em 3 estrofes: 3+3+2. No segundo 18 versos em 2 estrofes: 12+6. Deste mostremos a variação no cumprimento dos versos: «Ironias», o mais pequeno, «Nunca é pouco nem barato pensar», o maior. Para além de todas as opiniões críticas e filosóficas, capazes de configurar uma boa abordagem da matéria que se apresenta na leitura, nada a substitui. Limitar-me-ei a indicar este livro como uma boa leitura, com a capacidade de prender a atenção. Dizendo isto, está tudo dito, é preciso ter essa experiência que não pode ser substituída. Caso contrário podia ser assim o desfecho, comparemos o livro a um filme:

– Então, quando o vais ver?
– Já contaste a história, já não me interessa ir!
Uma última nota, do texto introdutório, dando valor à presença do mesmo: «O Observador do mundo finito, referência não explicita em nenhum dos versos, mas neles presente pela ausência».
Boa viagem, para quem se dispuser a viajar na leitura que este livro oferece.


Francisco Coimbra
Ponta Delegada, Ilha de São Miguel, no arquipélago dos Açores, Portugal insular, Atlântico.
Domingo, 06 de abril de 2008.

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