quinta-feira, 11 de julho de 2013

Iminência



Mas e quem disse que eles queriam se distanciar. Deixaram-se perdidos dentro dos olhos um do outro, confundindo os passos lentos com os pensamentos sobre a incerteza do gozo que poderiam obter unidos. Suas línguas retorcidas dentro de suas bocas salivavam pelo desejo de se tocarem. A multidão se esbarrava em seus corpos enquanto outros transeuntes cruzavam o caminho que poderia uni-los. Estela não sabia que deveria ter dito “Olá!”, nem mesmo Marcos. Eles eram estranhos e assim permaneceram mesmo diante daquela fusão metafísica, ainda que ambos se almejassem íntimos, ainda que o quisessem não o teriam feito, pois haviam de retornar aos seus lares e a seus maridos.

Fragmento do conto inédito "Iminência", de Túlio Henrique Pereira.

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