quarta-feira, 9 de março de 2011

No escuro (um clarão)

Louis Jeane François Lagrenée (1725-1805). A morte da mulher de Dario (1785). Fotografia nossa. Museu do Louvre, Paris, França. 2011 

Há uma luz verde no clarão desta estrada que me leva para não sei onde. Acho que me perdi nessas vias há um bom tempo e nunca mais soube habitar as palavras que as institui.

Às vezes fico pensando em como as coisas são engraçadas, a gente vai vivendo, vivendo até não poder mais. Imagine aquelas senhoras na calçada daquelas taperas engraçadas no nordeste. Estão ali sentadas há quanto tempo? Por quanto tempo? E seus netos, bisnetos, os vizinhos deles passeando pelas ruas de bicicleta, descalçados, gritando, sorrindo alheios a tudo que resta lá fora. E os maridos delas, e os irmãos delas, e os avôs delas, por onde andam esses senhores em rompante, caminhando pelos vãos escasseados das estradas? Que sombras têm eles, que vestes, que sonhos, que caras? São homens da gente, do dia a dia, do nada e de toda a sorte. Sempre me pego pensando no quanto a gente vai vivendo, vivendo até não poder mais.

Alexandre Santos


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