sábado, 27 de junho de 2009

Não tenho ressalvas para a vida num dia comum de sábado

Sábado depressivo. Acordei assim sem vontade de dormir mais, sem sono e sem desejo de acordar. Acordar para a realidade do dia. Engraçado, mas tenho achado os dias muito repulsivos. Às vezes bate aquele saudosismo de tempos antigos e dá vontade de ficar quietinho brincando no quarto, ou no quintal, mas eu cresci e brincar é coisa de criança. Que pena! Será que ninguém teve a sensação de que ser é adulto parece o mesmo que estar brincando 24h de Banco Imobiliário?! Enfim...

Sempre que me pego neste estado volto meus olhos e sentidos aos textos inesquecíveis de Florbela Espanca, especialmente para “Eu”, o meu poema dela. Faz muito tempo que não escrevo nada neste espaço, e até me questiono a utilidade e relevância que ele teria. Tenho vontade de não mais escrever ao mesmo tempo em que me dá vontade de ter vontade de escrever mais. Porém, já não sou mais um adolescente, e não posso me dar ao luxo de rascunhar “sentimentalidades” sobre impressões apresentadas em meus dias. Tenho uma dissertação e um livro para concluir ainda este ano. E é uma pena não se tratar de literatura.

Os dias têm me distanciado das aspirações, bem ao longe da literatura e de um tempo. Um tempo que particularmente não vivi, mas que superlativamente se encontra em alguma parte dentro do eu que não é de carne e nem de alma. Vontade de respirar fundo e sibilar, respirar fundo e sibilar, fundo sibilar...

Outro dia minha ajudante olhou uma foto antiqüíssima de mim com minha mãe sobre a escrivaninha e disse que meus olhos continuam os mesmos, e que na verdade nada mudei. Sorri. Observei atentamente a foto e entendi que quanto mais as coisas parecem mudar, mais elas continuam as mesmas, e que se você continua o mesmo, mas as coisas parecem mudar. Desse modo, revolvo ao que Florbela deixou cravado em nossos “eus” que não são de carne e nem de espírito: Sou o que na vida não tem norte, irmão do sonho e desta sorte, sombra de névoa tênue e esvaecida... e que o destino amargo, triste e forte, impele brutalmente para a morte.

Agora, me deixem aqui, porque o dia termina e preciso acordar.


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